Uma questão recorrente feita por neófitos é: se somos os mesmos Espíritos reencarnando em diferentes épocas, por que a população mundial é crescente?
A resposta é aparentemente simples para quem está familiarizado com as obras de Allan Kardec, mas pode ser vaga, pueril, incompleta e até equivocada se for oferecida sem a devida fundamentação doutrinária.
Provavelmente quem perguntou desconhece que: 1) a população de desencarnados é maior do que a de encarnados; 2) há muitas moradas no Universo; 3) A emigração e imigração de Espíritos entre mundos é uma constante e; 4) Deus nunca cessou de criar.
A resposta deve, portanto, ser estruturada de maneira a reunir essas premissas com logicidade, clareza e, preferencialmente, com as respectivas referências.
Inicialmente, desvincula-se a noção de que toda a população espiritual estaria restrita somente aos habitantes encarnados da Terra (LE-87) e, principalmente, esclarece-se que a população na erraticidade é superior em quantidade, mas qualquer tentativa de dimensionar essa população é mera especulação.
Uma vez que todos os globos que circulam o espaço são habitados e o espaço universal é infinito (LE-55 e GEN – Cap. VI, i. 1), a população encarnada e desencarnada da Terra é apenas uma fração insignificante se comparada ao todo e este orbe não é um sistema fechado.
Como todos os mundos são solidários (LE-172 a 176 e LE-184), há um constante fluxo de emigração e imigração de Espíritos (GEN - Cap. XI, i. 33 a 35).
Pelo fato de Deus jamais ter deixado de criar (LE-80 e GEN – Cap. XI, i. 9), em nosso estágio intelectual não conseguimos dimensionar e muito menos estabelecer qualquer relação temporal sobre a manifestação dos seres inteligentes no Universo, mas a encarnação ocorre nos diferentes mundos (ESE-Cap. 3 - i.2) e habitaremos aqueles compatíveis com nossas necessidades evolutivas (CI - Cap. 3, i. 11 e GEN - Cap. XI, i 27).
A Terra não é o primeiro nem será o último planeta que reencarnaremos, pois já habitamos mundos mais primitivos e poderemos voltar, ou não, a habitar este planeta, dependendo de nossa condição evolutiva. Uma vez atingido o grau máximo da perfeição de que o Espírito é suscetível (GEN – Cap. XI, i. 9), não mais será necessária a reencarnação. Na ordem das coisas, não é o mundo material o principal, mas o mundo dos Espíritos (LE-85).
Assim, a quantidade de encarnados neste planeta é limitada pela capacidade física e não pela dimensão da população espiritual, a qual é infinita.
LE - O Livro dos Espíritos
ESE - O Evangelho Segundo o Espiritismo
CI - O Céu e o Inferno
GEN - A Gênese (Tradução da 4ª edição francesa)
Texto publicado na revista Dirigente Espírita, ed. 193, jan/fev 2023, p. 33
Marco Milani
